A Fortaleza Juromenha no início do séc. XX passou a ser irrelevante para a defesa do território devido à evolução das estratégias e recursos bélicos. Em 1920 a praça foi definitivamente abandonada e começou o seu declínio. Matos Sequeira (in Guia de Portugal, Biblioteca Nacional de Lisboa, 1ª edição em 1927) escreveu: "Juromenha actualmente é uma ruína. Os restos das muralhas caem aos bocados, as casas onde se abriga a população civil estão, a maioria delas, desabitadas (...)".
Muitos anos depois, cerca de 1980, José Saramago na sua "Viagem a Portugal" visita a Fortaleza de Juromenha e pelo seu testemunho o espectáculo é ainda mais desolador: " O viajante vai ao castelo. É realmente um mar de ruínas. À entrada da cintura seiscentista, sob o arco da porta, uma vaca e um vitelo remoem pacientemente (ou obrigatoriamente) o que já comeram. Lá dentro adivinham-se os lugares onde já viveu gente: uma chaminé, a que falta o piso em que assentava, está suspensa no vazio. O recinto é vasto, o viajante não vai percorrê-lo todo. Mais ruínas, o resto duma capela, provavelmente a Misericórdia, e outras, mais pungentes, da Igreja de Nossa Senhora do Loreto, onde dorme a sesta um rebanho de ovelhas que a chegada intempestiva do viajante não basta para perturbar (...)"
Entretanto Juromenha que até 1836 fora sede de concelho, passou a sede de freguesia até 2013. Pertence actualmente à União das Freguesias do Alandroal.
Em 2011 Juromenha tinha 107 habitantes! Desde o abandono da fortaleza, em 1920, começou a perder população, situação que se mantém agravada por outros problemas que afectam o interior do país.
Finalmente obras de reabilitação
Iniciada em 2021, a obra envolveu o restauro dos três níveis de muralhas, nomeadamente a islâmica, a medieval e a seiscentista e a instalação de iluminação cénica, num investimento de 5,3 milhões de euros, com apoio de fundos europeus.
Mas este projecto, fundamental para a consolidação das muralhas e evitar novas derrocadas, não abrangia o interior da fortaleza onde se encontram, em ruinas, as igrejas da Misericórdia e de São Francisco e a Igreja Matriz de Nª Sra. do Loreto - provavelmente de meados do século XIII, com o nome de Santa Maria - a cadeia, os antigos Paços do Concelho e a cisterna.
Espera-se que agora seja encontrada uma solução para reabilitar todo este património e dar a este monumento a dignidade que ele merece.
Prémio nacional para Jeromenha
Em cerimónia realizada hoje no Museu Vista Alegre, em Ílhavo, a intervenção de restauro e conservação da Fortaleza e Castelo de Juromenha recebeu o Prémio Nacional de Reabilitação na categoria de Restauro.
Os prémios nacionais de reabilitação distinguem há 14 anos as melhores intervenções de reabilitação urbana em várias categorias, tendo sido admitidas este ano cerca de 80 candidaturas. A Fortaleza de Juromenha foi ainda finalista, entre três candidatos, na categoria de Estruturas.
A Fortaleza de Juromenha está integrada no Programa REVIVE prevendo-se o desenvolvendo de um projeto de natureza turística no seu interior em harmonia com o uso público do monumento.
Ana Rocha, 19 de Maio de 2026

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