Bolonha é a capital da região italiana de Emilia-Romagna. Conta com aproximadamente 400000 habitantes na cidade e cerca de 900000 na sua área metropolitana. Reconhecida como uma das regiões mais fertéis e ricas do país, a sua capital, Bolonha, é uma das cidades italianas mais influentes e importantes. Em 2011, Bolonha mereceu o título de cidade de Itália com melhor qualidade de vida entre 107 concorrentes.
Conhecida como la Rossa, este qualificativo terá surgido há muitos anos pelo que não tem qualquer relação com partidos políticos. Tudo indica que esta designação se deve à tonalidade uniforme dos seus telhados em telha e dos seus edifícios em tijolo. Esta impressão de homogeneidade é reforçada pelos seus 40 km de arcadas e pórticos medievais e renascentistas sob os quais as pessoas se movimentam abrigadas sentindo-se em casa.
Foi em Bolonha, la dotta, que se criou a primeira universidade europeia, em finais do séc. XI e ainda hoje a Alma Mater Studiorum atrai muitos estudantes devido ao prestígio da instituição e dos seus professores (por exemplo, Umberto Eco, autor do famoso romance "O nome da Rosa").
Muitas personalidades da literatura, da cultura e da vida italianas passaram por esta universidade desde a Idade Média como Dante, Petrarca, Erasmo, Antonioni, Pasolini... Não terá sido, com certeza, por acaso que Bolonha foi escolhida para fazer aprovar a mais importante reforma dos estudos superiores na Europa, o chamado "processo de Bolonha", em 1999, como forma de acelerar a integração europeia.
Mas Bolonha, além de la rossa e la dotta, é também a gorda, la grassa. A fama vem de longe e não tem a ver com gordura, mas com abundância, despensa farta e cozinha rica. E com o tempo, a cidade adquiriu fama de ser a capital gastronómica de Itália, devido à maneira de cozinhar e aos inventos culinários próprios como a mortadela, que é um salame que se fabrica na cidade pelo menos há duzentos anos.
Quando se pergunta a um bolognês onde se pode comer um spaghetti alla bolognese, a sua reacção pode surpreender-nos: "Isso não existe, é uma invenção para enganar os turistas!" O que existe, explicam-nos, é a pasta fresca, o sugo de tomate e, sobretudo o ragú.
Bolonha é uma cidade onde não faltam monumentos e edifícios de grande interesse histórico e artístico. Há registo de mais de cinquenta igrejas, santuários e oratórios, só no centro histórico de Bolonha.
Dispondo de pouco tempo para visitar a cidade, é necessário fazer opções e, nesse sentido, a Piazza Maggiore surge em primeiro lugar, com a Basílica dedicada a S. Petrónio. Petrónio, um bispo de Bolonha muito influente no seu tempo, (séc.V), foi elevado ao estatuto de santo protector da cidade no séc. XIII, por ser considerado um símbolo da independência da província de Bolonha, no contexto das lutas contra o poder temporal do Papa.
A Basílica começou a ser construída no estilo gótico dominante, em finais do século XIV, com a intenção de ser a maior da cristandade. As obras foram interrompidas diversas vezes por mudança de planos e falta de verba e, no séc. XVI, por intervenção do papa que não podia tolerar que fosse maior do que a Basílica de São Pedro, em Roma. Tantas dificuldades e obstáculos explicam que a fachada se encontre incompleta.
A sua nave interminável (mais de 130 metros de comprimento) guarda, no seu interior, obras que merecem a nossa admiração, muitas delas de artistas locais.
Uma curiosidade: a linha meridiana. No lado esquerdo da Basílica, vê-se no chão a linha meridiana (67 metros) que tem correspondência com um orifício no tecto, enquadrado pelo desenho de um sol, por entra a luz do sol.
Ao lado da Piazza Maggiore, na Piazza Neptuno a enorme estátua de Neptuno (séc. XVI) atrai a nossa atenção. As quatro figuras que se encontram à volta dele simbolizam os maiores rios dos continentes conhecidos naquela época: o Ganges, o Nilo, o Amazonas e o Danúbio. Para o Papa, que encomendou esta obra, a intenção era clara: tal como Neptuno dominava as águas, assim ele dominava o mundo
Mas ir a Bolonha e não visitar a Abadia de Santo Stefano seria indesculpável. Trata-se de um conjunto de edifícios religiosos construídos entre o séc. V e o séc. XIII, muito antigos e com características únicas. Segundo a tradição popular a abadia seria constituída por sete igrejas, mas na verdade só contamos quatro, embora se encontrem alguns vestígios que poderão ter pertencido às outras.
A existência de um templo cristão neste local deve-se à vontade do bispo Petrónio que quis construir aqui uma réplica do Santo Sepulcro de Jerusalém. Esta é a mais importante das igrejas da abadia, apesar de se entrar através de uma porta lateral na nave da igreja do Crucifixo. Colada à igreja do Santo Sepulcro fica a basílica dos santos Vitale e Agricola, dedicada aos dois mártires bolonheses. Depois dos clautros, chegamos à igreja da Trinità, a quarta deste conjunto.

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