Entretrechos
domingo, 8 de março de 2026
Não escrevo para entreter...
quarta-feira, 4 de março de 2026
Heróis da Amazónia
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| Candido Portinari "Seringueiros" |
No final de 1988, os senadores Tim Wirth, John Heinz e eu, os congressistas John Bryant, Gerry Sikorski e uma delegação de observadores, estávamos a caminho do Brasil para encontrar Chico Mendes, talvez o mais famoso herói da resistência dos últimos anos, quando ele foi assassinado por um grupo de ricos latifundiários.
Nascido no Acre, na região amazónica, Chico Mendes organizou e liderou os seringueiros, que colhem os produtos renováveis da floresta tropical – frutos, castanhas e principalmente borracha – que obtêm da seiva colhida através de pequenos cortes nas seringueiras. Este modo de vida tem ajudado a preservar a floresta tropical, mas começou a prejudicar os interesses comerciais que visam explorá-la, queimando-a e derrubando árvores para abrir espaço para fazendas de gado. Em diversas ocasiões, Chico Mendes e os seringueiros tentaram impedir a passagem de máquinas e recusaram-se a permitir que os exploradores cruzassem a floresta tropical para incendiar áreas próximas.
Além disso, Chico Mendes encontrou formas alternativas – e sustentáveis – de ganhar a vida na floresta tropical e incentivou uma série de empreendimentos criativos para estimular os proprietários de terras a não as destruir, de forma a viver em harmonia com elas. Como aumentou o seu conhecimento da complexidade dessas questões e desenvolveu a sua capacidade de liderança, tentou entrar para a política, mas a riqueza e o poder dos latifundiários garantiram-lhe a derrota. Entretanto, como continuou a ameaçar os seus interesses, mataram-no com uma rajada de tiros, à porta de sua casa.
Al Gore
CHICO MENDES
Peço proteção infinita
para Apolo ser meu guia
pra eu narrar uma história
com muita melancolia:
A Morte de Chico Mendes
defensor da ecologia.
Chico Mendes morava
na cidade de Xapuri
Estado do Acre
onde lutava ali
defendendo os seringueiros
as matas, os rios e bem-te-vis.
Foi vereador, lutador
defendendo o pessoal
ingressou na ONU
tendo fama mundial
lutou pelo verde
até no dia de seu final.
Chico além de corajoso
dedicou todo amor
à natureza amazônica
no qual foi defensor
e o mundo inteiro perdeu
um herói de grande valor.
Foi assassinado
usado de covardia
por gente de alta classe
empilhada na burguesia
alguns são aqueles
que falam em democracia.
Usam palanques,
palestras e algo mais
falam em fraternidade
e fingem ter muitas paz
mas quem conhece bem
sabe o que são capazes.
Chico já havia antes
sofrido dois atentados
e por um milagre
havia escapado
mas na terceira vez
acabou no chão, deitado.
Antes de sua morte
havia feito uma reunião
com muitos seringueiros
de Xapuri e região
para discutir melhores preços
e ampla comercialização.
Dizia Chico aos colegas
caros amigos companheiros
temos que protestar,
a nossa classe de seringueiros
para melhor comércio
e ganhar mais dinheiro.
Temos que preservar
também a natureza
porque a Amazônia
é a maior riqueza
e o verde que alucina
transborda tanta beleza.
Defender o que é nosso
é a única saída
assim vamos de mãos dadas
manter a classe unida
lutaremos até o fim
mesmo que custe a vida.
José Aparecido Lima (Xandú) Literatura de cordel.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Amazónia
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| Júlio Pomar "O banho das crianças no Tuatuari,1997 |
A criação do mundo
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Os pobres são de Deus
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Lisboa, anos 50
António Lobo Antunes /texto com supressões
Crónica de Lobo Antunes lida por ele próprio:
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
A Morais Soares ontem e hoje
A Morais Soares do séc. XXI
A Morais Soares não é uma rua: é uma jangada apinhada de gente, um misterioso coração pulsante, uma metrópole imensa dentro do recinto da “Lisboa, cidade triste e alegre”, e paralela a ele. Em nenhuma outra parte Portugal é tão cosmopolita e global. Em nenhum outro ponto do seu território se parece tanto a São Paulo, a Xangai ou a Nova Iorque. A impressão que se tem, quando se sobe da Praça do Chile até ao Alto de São João, é que as mais de noventa nacionalidades que habitam atualmente o perímetro da freguesia de Arroios estão concentradas no trasfego daquela encosta desamparada, nos redemoinhos, manifestos ou subterrâneos, daquele mestiço lufa-lufa, que melhor descrito vem se o transformarmos em lufa-luta, porque o mundo, para quem o quiser ver, é isso: uma vitrina do espanto e da dor, do escombro e do combate, do abalo e da esperança que existir representa.
Quando este arruamento nasceu, há mais de um século, toda a área era então o termo da cidade. E ainda hoje o é, mesmo se de outra forma. “Aqui a terra acaba e o mar começa”, poderíamos dizer. Talvez, por isso, a Morais Soares tenha aquela vitalidade que se fareja nos sobreviventes; o constante sangue novo dos que chegam em busca de oportunidades; o instinto, a vulnerabilidade e a resiliência de quem se agarra com unhas e dentes a um mundo de passagem (...)
Tolentino Mendonça, 2020
O cardeal Tolentino Mendonça conhece muito bem a rua Morais Soares, pois morava na freguesia de Arroios antes de ir viver para Roma para desempenhar as novas funções para que foi nomeado pelo Papa Francisco, no Vaticano.
No tempo das tertúlias nos cafés
HN
Cinquenta anos de história
“Como habitualmente, vou a caminho do Café Flor do Império. Da última vez que lá estive vi um rapaz e acho que ele também reparou em mim. Era moreno e tinha uma grande cabeleira. Acabei por descobrir que se chama Carlos.
Entro no café… Ele não está cá. Sento-me na minha mesa habitual ao lado da Luísa, uma amiga que conheço daqui e pedimos o nosso lanche: dois cafés e dois pastéis de nata.
Como estou de costas para a porta não o vejo entrar, mas vem diretamente para a nossa mesa. A Luísa cumprimenta-o, apresenta-nos (parece que eles já se conhecem) e começam a conversar. A certa altura falam do seu jantar, portanto perco a esperança, já que ele namora e vive com uma das minhas amigas. Quando o Carlos se vai embora, ela pede desculpa pelo irmão que nos tinha interrompido. IRMÃO! Afinal estava enganada.
A seguir, a Luísa levantou-se e assim que ela sai porta fora, o Carlos vem ter comigo e pergunta se pode sentar-se. Falamos de tudo. Da ditadura (somos os dois contra), da faculdade, do café onde nos encontramos e até sobre a Luísa.
Já é de noite, mas ainda não ficámos sem tema, por isso decidimos ir jantar os dois.”
Esta é a história dos meus avós. Casaram-se dois anos mais tarde. Passaram o 25 de Abril juntos e tiveram um filho.
No ano de 2025, comemoraram 50 anos de casados. Isto mostra que uma coisa tão séria, importante e duradoura pode começar de uma forma tão simples.
Na mesa de um café.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
EUA, meados do séc. XXI...
dos Estados Conservadores e Unidos.
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