A Floresta Amazónica é a maior floresta tropical do mundo, estendendo-se por aproximadamente 6,7 a 7 milhões de quilómetros quadrados na América do Sul. Abrange nove países/territórios e é frequentemente comparada com a Europa devido à sua vastidão. O Brasil ocupa 60% da totalidade da Floresta Amazónica.
De 1985 a 2024 o desmatamentoa da Amazónia provocou o desaparecimento de vegetação nativa numa área equivalente ao tamanho da França.
Coube ao explorador espanhol Francisco de Orellana, o primeiro a descer o Amazonas de ponta a ponta, rebatizar em 1542 aquele marzão doce – a princípio chamado pelos colonizadores, justamente, Rio Santa Maria de la Mar Dulce – de Rio (das) Amazonas, após enfrentar uma tribo de ferozes guerreiras armadas de arco e flecha às suas margens. Seriam tapuias?
Segundo uma tese, as “guerreiras” de Orellana eram na verdade mancebos cabeludos. De uma forma ou de outra, a maioria dos estudiosos é firme ao sustentar que o mito grego das amazonas está por trás de tudo, tratando como mera curiosidade a tese alternativa de que a palavra teria vindo de amassunu, termo indígena para “águas ruidosas”.
Como a etimologia é um campo de batalha em que pululam versões e mal-entendidos, a palavra amazona também carrega um qüiproquó de origem. O vocábulo foi provavelmente importado do iraniano ha-mazan (“guerreiras”), mas, adotado no grego, ganhou o apoio da chamada etimologia popular, aquela que parte de uma ideia falsa ou de uma aproximação sonora para alterar o curso de uma palavra: amazona foi interpretada como li gada a a + mazos, isto é, “sem seios”. Espalhou-se então a crença de que tais guerreiras se mutilavam para melhor manejar o arco. Mas nas representações artísticas da Antiguidade, o corpo das amazonas não é retratado de forma diferente.
Fica faltando explicar o porquê de Amazónia mas isso é o mais simples. Basta aplicar às amazonas o sufixo latino indicativo de lugar que é usado em Itália, Lusitânia, Brasília etc.
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| Júlio Pomar "O banho das crianças no Tuatuari,1997 |
A criação do mundo
Lenda do povo Araweté, habitante da região do riu Xingu
Houve um tempo em que o mundo era sem morte e sem trabalho. Existiam na terra os índios e os Mais, uma tribo de imponentes homens-deuses. Não havia as roças e nem o fogo; todos colhiam o mel e as frutas. Não se conheciam a doenças; a velhice e a morte não existiam. A floresta era amiga e os animais, dóceis. Durante as noites, os índios e os Mais fumavam grandes charutos, cantavam e dançavam; não se tinha inventado a mentira e a maldade; todos eram amigos, casava-se entre si e viviam em harmonia.
O chefe Mai, Ananãmi, havia se casado com uma índia. Moravam felizes em uma aldeia ao lado de árvores cheias de frutos e cipós floridos.
Um dia, sem motivo nenhum, a mulher de Anañami discutiu com ele. Levantou a voz e, aos gritos, o insultou. O mundo todo parou surpreso. Aquilo jamais havia sido visto.
O grande chefe Mai percebeu então que o paraíso estava morto. Chamou seu sobrinho Hehede, pegou seu chocalho de pajé e começou a cantar e a fumar. Foram rodeados por toda a aldeia, que se espantou quando o solo de pedra, onde estavam os dois, começou a subir sem parar até desaparecer nas alturas. Foi assim que surgiu o céu.
Estava feita a confusão na terra.
Muitos Mais subiram com Anañami. O céu povoou-se de guerreiros divinos, que levaram o paraíso com eles. As melhores plantas, os melhores animais foram viver nas alturas. Alguns Mais subiram mais alto, criando o céu vermelho que era o céu do céu.
Abandonada e perdendo o seu suporte de pedras, a terra começou a se dissolver em água; jacarés e piranhas esfomeados saíram dos rios e devoraram os índios.
Os índios foram desaparecendo um a um. Os que não foram devorados acabaram por afogar-se. Só três pessoas escaparam. Dois homens e uma mulher, mais rápidos que os demais, subiram em um pé de bacaba e de lá assistiram ao desastre. Viriam a ser, depois, os pais de todos os índios.
Quando as águas desceram, a terra estava diferente. Aos poucos, povoou-se de animais ferozes; as árvores já não ofereciam tantas frutas; os sobreviventes tiveram que passar a pescar, caçar e plantar para viver. Anañami teve pena deles e mandou um pássaro vermelho para lhes ensinar a fazer fogo, plantar os roçados, construir canoas e tratar a grande quantidade de doenças que surgiram e enterrar os mortos.
A vida no céu era muito diferente da que se levava na terra. Lá as sementes brotavam sozinhas, as frutas e o mel estavam ao alcance da mão. Anañami levou para o céu o segredo da juventude e não havia nada a fazer além de cantar, dançar e beber cauim. E, como o tempo não se fazia sentir ao passar, então a vida deles era sempre presente e não existia futuro.
Na terra existia o tempo, o envelhecer, o esperar o dia de amanhã. O futuro. Na terra existia a esperança. Isso foi um presente de Anañami aos homens.
Vera do Val (texto com supressões)
Júlio Pomar "Pajé tocando Jakiu", 1988
Em 1988, Pomar passou perto de dois meses no Alto Xingú, um território em Mato Grosso, na bacia do Amazonas, habitado pelos Txicão, os Kamaiuras, os Iawalapitis e outras tribos indígenas, num acampamento montado para a rodagem do filme de Ruy Guerra baseado no romance ‘Quarup’, de António Calado, a convite do produtor Roberto Fonseca.



