quinta-feira, 16 de abril de 2026

Deus dos Yazidis



No romance "Também há rios no céu" acompanhamos personagens de épocas distintas (séc. XIX, XX e XXI) que, por nascimento, pelas suas raízes familiares ou ainda apenas por se sentirem atraídos pela história dos povos antigos da Mesopotâmia, acabam por se encontrar com a cultura yazidi.

No seguinte extracto do romance, Narin, uma menina yazidi  com 9 anos de idade, ouve a avó contar a história da criação do mundo, segundo a tradição do seu povo:

- Naqueles anos longínquos, em tempos idos - diz a avó placidamente - Muito antes de a Terra existir, só havia Deus, Xwedê, e nada mais. Nessa altura tudo era calmo e pacífico. Em todo o lado só havia silêncio puro, pois os sons ainda não tinham sido inventados. Nem sequer um sussurro. Então, uma manhã, Deus decidiu moldar uma pérola a partir da Sua essência preciosa e enchê-la de luz divina. Uma pérola tão brilhante que Ele podia admirar o Seu próprio reflexo na superfície. 
Deus confiou a pérola a um pássaro mágico chamado Anfar, e o pássaro guardou-a no seu ninho como se fosse um ovo. A gema permaneceu ali, invisível, intacte, incólume. esse estado abençoado durou quarenta dias - ou, talvez, quarenta mil anos. Não havia diferença, pois também o tempo estava dentro da pérola. Ainda não tinha nascido. Não estava dividido em anos, meses, semanas ou horas. O tempo era um todo, e a pérola fazia parte do todo, como tudo o mais.
Mas então, por razões que nunca descortinaremos, Deus pisou a pérola com toda a Sua força, esmigalhando-a. Foi deste modo que Xwedê criou as montanhas, as florestas e os vales. Dos pedaços dispersos, Ele esculpiu o Sol e a Lua. Pendurou as estrelas no firmamento como decorações. Extraiu água do cerne da pérola e e encheu com ela nascentes, rios e oceanos (...)

terça-feira, 14 de abril de 2026

Yazidis


O templo de Lalish

O Anjo Pavão

Os yazidis constituem uma comunidade étnico-religiosa curda cujos membros praticam uma religião muito antiga, o iazidismo,  que  se caracteriza pela crença num Deus criador e sete seres angélicos, liderados por Melek Taus (Anjo Pavão), incorporando elementos do zoroastrismo, islamismo e crenças pré-islâmicas. É uma religião proselitista (nasce-se yazidi) e muito perseguida há séculos devido a mal-entendidos históricos, que confundem o seu principal anjo, o Anjo Pavão, com o diabo.
A maior parte dos Yazidis concentra-se na província  Nínive, no norte do Iraque (perto de Mossul), mas também existem comunidades na Arménia, Geórgia e Síria. No sudeste da Turquia que fazia parte do território habitado por Yazidis, devido às violentas perseguições de que foram alvo, encontram-se apenas comunidades muito pequenas e refugiados. 
Também no Iraque de Saddam Hussein,  nas últimas décadas do séc. XX,  os yazidis, tal como os outros curdos, foram deslocados das suas terras e perseguidos. Após o início da guerra do Iraque,  sofreram vários ataques dos fundamentalistas sunitas e, em Agosto de 2014, foram alvo de massacres perpetrados pelo chamado Estado Islâmico, com o objectivo de extirpar o Iraque e países vizinhos de quaisquer influências não muçulmanas. 
Naturalmente estes factos têm provocado grandes movimentações demográficas e emigração em massa. As estimativas populacionais são incertas em muitas regiões. Por exemplo, calcula-se que vivam no Iraque varia entre 70 000 e 500 000 yazidis.


Euronews em português: Por que são perseguidos os Yasidis?