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A lenda
Diz a lenda que um rei visigodo desejava casar com sua irmã Mégnia ou Menha que se opunha e não dava qualquer esperança de mudar de ideias. Então o rei, para a convencer, resolveu prendê-la numa torre do castelo. Mas ela continuava a recusar-se dizendo: Jura Menha que não…
Ainda hoje uma das torres do castelo tem a denominação de torre da Menha, por supostamente ali ter estado presa a dita donzela.
É apenas uma lenda. Sabe-se que, na realidade, Juromenha era chamada de Julumaniya pelos muçulmanos que a habitaram e, provavelmente, eles adoptaram um topónimo já existente.
E agora a história
A Fortaleza de Juromenha, pela sua localização na margem do rio Guadiana, desempenhou durante séculos um papel fundamental na consolidação do território português.
As suas origens são muito antigas. As descobertas feitas pelos arqueólogos provam que a ocupação deste local é anterior à época dos romanos.
Quando a península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos, durante dois séculos Juromenha ocupou um lugar de destaque como posto-avançado de defesa da importante cidade de Badajoz, sob o comando do califado de Córdoba.
A povoação e fortaleza foram conquistadas pelas tropas de D. Afonso Henriques em 1167, perdidas para muçulmanos em 1191, voltando às mãos dos portugueses em 1242.
No interior desta Fortaleza foram celebrados dois casamentos reais: o do rei português D. Afonso IV " O Bravo" com Dª Beatriz de Castela e o do rei D. Afonso XI de Castela com Dª Maria de Portugal.
Perante a iminência de uma invasão espanhola, na sequência da Restauração Independência, ocorrida em 1 de Dezembro de 1640, procedeu-se ao reforço da praça-forte de Juromenha. Apesar disso, foi perdida em 1662 e permaneceu ocupada por tropas espanholas até ao Tratado de Lisboa em 1668, momento em que volta à posse da Coroa portuguesa.
A fortaleza sofreu danos severos durante o terramoto de 1755 tendo sido posteriormente recuperada. Mas durante a Guerra das Laranjas em 1801 volta ao controlo de tropas espanholas e só regressa definitivamente em 1808 a mãos portuguesas. No entanto é abandonada em 1920 por impossibilidade de cumprir a sua função perante o aparecimento de novos meios bélicos. E assim começou o declínio da Juromenha.
A Fortaleza de Juromenha é um local com muita história, de visita obrigatória de onde podemos avistar Vila Real e Olivença, em Espanha, na outra margem do rio Guadiana.
Tragédia na Fortaleza de Juromenha em 1659
Em Outubro de 1658, ainda na sequência da guerra da restauração da independência de Portugal (1640), a rainha Dª Luísa de Gusmão mandou organizar um exército de socorro, constituído por todas as guarnições e homens válidos que foram retirados das praças e fortalezas e substituídos por gente sem qualquer conhecimento do uso de armas, incluindo rapazes e velhos
Os estudantes não escaparam à mobilização e, um dos casos mais conhecidos foi a companhia formada com cerca de cem estudantes da Universidade e Colégio do Espírito Santo de Évora que seguiu para a Fortaleza de Juromenha.
No dia 14 de Janeiro de 1659, o exército português conseguiu uma grande vitória sobre os castelhanos, sendo a praça de Elvas, completamente libertada. A notícia chegou a Jeromenha logo no dia seguinte e, como a guarnição da praça ia voltar em breve, os estudantes deviam preparar o seu regresso a Évora.
Ora. quando estes se encontravam junto da casa do governador para se despedirem, um médico que estava a assistir um homem muito doente, mandou chamar um padre para lhe dar os Sacramentos. Apareceram logo dois padres, mas como já era de noite, pediram um archote que baixaram para ver melhor a cara do moribundo. Não repararam nos barris de pólvora ali guardados que explodiram, atingindo o paiol principal que também explodiu. Morreram mais de cem pessoas, incluindo os estudantes da Universidade e Colégio do Espírito Santo de Évora.




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