sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Conhece este parque natural?


Foi criado em 1979, mas a história do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros começa há 175 milhões de anos, quando os dinossauros saurópodes faziam desta região o seu habitat natural. As pegadas deixadas por estes simpáticos gigantes fazem da região destas duas serras o parque jurássico português e o Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios em Ourém - Torres Novas é um bom ponto de partida para conhecer a longa e rica história natural local.

"Serras de Aire e Candeeiros" aguarela de Roque Gameiro

Com uma área próxima dos 40 mil hectares, este Parque Natural abrange dois terços do Maciço Calcário Estremenho, uma formação geomorfológica onde o calcário branco esculpido pela água, pelos ventos e pelo Homem, origina paisagens e habitats tão belos quanto misteriosos.

Gruta de Mira de Aire

As paisagens subterrâneas das várias grutas ali existentes são um dos exemplos paisagísticos desta região. Algumas podem ser visitadas, outras são habitats exclusivos das várias espécies de morcegos que vivem nesta área protegida. Aliás, o mamífero voador é uma das espécies mais importantes do parque e o símbolo do mesmo. 

Estalactites na gruta de Mira de Aire

Devido à erosão do calcário por forma da água, este território possui uma complexa rede subterrânea de cursos de água que, em épocas de maior pluviosidade, dão origem a nascentes temporárias responsáveis pela formação de canhões fluvio-cársicos e depressões geológicas

Outro fenómeno da erosão que caracteriza este território são os grandes lagos temporários chamados poljes. O maior de todos é o “Polje de Minde” (foto 3). Nas épocas de maior pluviosidade chega a ter 2,5 quilómetros de comprimento por 800 metros de largura e 15 metros de profundidade. As gentes locais chamam-lhe o “Mar de Minde”. O sentido do nome é figurativo, afinal o Oceano Atlântico está a mais de trinta quilómetros de distância.

"Mar de Minde"

Mas apesar da distância ao mar, há água salgada no sopé da Serra dos Candeeiros. Perto de Rio Maior esta água salgada dá origem às únicas salinas interiores de Portugal e as únicas da Europa em funcionamento. O segredo das Salinas Naturais de Rio Maior  está num misterioso poço local cuja água tem um nível de salinidade sete vezes superior ao da água do mar. Este fenómeno natural atesta a presença do mar nesta região há milhões de anos, quando os dinossáurios andavam por ali.

 iNature | jun 2023 (texto com supressões)


Nascente do rio Alviela

A nascente do rio Alviela está localizada na base de uma escarpa, na fronteira geológica entre o Maciço Calcário Estremenho e a Bacia Terciária do Baixo Tejo. Neste local estão em contacto rochas com cerca de 150 milhões de anos de diferença (calcários do Jurássico e arenitos do Terciário). O rio Alviela é alimentado durante todo o ano por uma nascente permanente, mas em períodos de maior precipitação a água é também expelida através de nascentes temporárias, nomeadamente por uma saída temporária de extravasamento situada junto à nascente principal (Olhos de Água) e por uma outra situada junto ao Poço Escuro. A nascente do Alviela é uma das mais importantes do nosso país, chegando a debitar 17 mil litros por segundo, ou seja, 1,5 milhões de metros cúbicos de água por dia (pico de cheia). Desde 1880 até bem próximo da atualidade, esta nascente foi uma das principais fontes de abastecimento de água à cidade de Lisboa (através do Aqueduto do Alviela).




Praia fluvial dos Olhos de Água




Minha querida Mira de Aire

Muitas são as histórias da tua grandiosidade, da tua atividade quase metropolitana e do teu tecido industrial invejável.
Muitas são também as memórias dos grandes feitos do teu U.R.M., do ambiente fantástico que se vivia no velhinho (mas tão nosso) Campo da Fiandeira lotado em dias de jogo.  Este movimento era igualmente patente à hora de saída das centenas de trabalhadores que laboravam nas dezenas de unidades fabris em ti instaladas. Atualmente, estas memórias de ti, ou o que resta delas, encontram-se apenas guardadas nos olhos e corações daqueles que as viveram, olhos esses que se humedecem ao relembrar essa realidade tão díspar daquilo que és hoje.
Lembrado é também o estonteante movimento do café Cristal ou, mais recentemente, as loucas noites que a Discoteca Dom Papagaio proporcionava às gentes que vinham um pouco de todo o país. Mas estas histórias não as vivi eu.
Relembro apenas, ainda que vagamente, uma mão quase cheia de bares... Mas até isso acabou.
À semelhança do que acontece um pouco por todo o país, os teus filhos mais novos vão saindo debaixo da tua asa e os mais velhos vão ficando para te fazer lembrar que estás viva e que não passas de uma memória entre as serras.
O que é que se passou contigo? Porque é que te tornaste tão triste, tão escura, tão sem cor? As tuas ruas, onde outrora se respirava vida e alegria, não passam hoje de caminhos quase desertos e inundados de uma insípida monotonia. As tuas gentes parecem desinteressadas, tristes, cabisbaixas, como se previssem para ti um fim próximo. As festas e eventos que se vão organizando a muitos custo, já não têm a vitalidade de outros tempos.
Oh minha Mira, tenho saudades de uma face de ti que nunca conheci.
Mas Mira, quando saio de casa no inverno e te vejo vestida de branco ou quando vislumbro os teus filhos a incendiarem-te o coração no Natal, tenho a certeza que não vou desistir de ti. Eu não desisto de ti! Não quero saber se o que te aconteceu foram simples vicissitudes da vida, o resultado de políticas locais ou o fruto do desgaste que os teus filhos te deram… EU NÃO DESISTO DE TI!
Se vou conseguir? Não sei. Mas sei que tentarei até ao fim dos meus dias. No que depender de mim não morrerás, não serás esquecida e não te tornarás apenas naquela memória entre as serras que já te referi. 

Eu quero-te grande! Podes voltar a ser grande por favor?

Com amor,

O teu filho
João Diogo Santos
(texto com supressões)