domingo, 28 de maio de 2023
Aberto todos os dias
domingo, 21 de maio de 2023
Regresso
a porta, a chave e como rodá-la, os meus encontros.
segunda-feira, 1 de maio de 2023
Vagas de Amplitude
sábado, 15 de abril de 2023
Vinte e cinco de Abril
Este é um poema
com saudade da festa...
Dias de vermelho
de damasco e de riso
Das horas de alegria
e de bandeiras, de cravos
rubros postos no vestido
Este é um poema
feito de memória
Da pressa incontida
no passo corrido
De fala crescida
de prisões abertas, de escrita
liberta descobrindo o sentido
Este é um poema recordando
a mudança, da esperança
e do sonho acontecido
Com palavras
do corpo e de lembrança
Exigindo o futuro
a promessa e o grito
Este é um poema
cantando
a liberdade
De lágrimas costuradas
suturando o sorriso
Ousando dizer da ambiguidade
da estranheza do novo
misturado ao antigo
Este é um poema
torneando o avesso
Da luz da madrugada
de uma noz de vidro
Do voo das gaivotas
junto à pele das águas
fazendo do Tejo o seu precipício
Este é um poema
de visitar a História
Da revolução
o ganho
e também o perdido
Da viagem e do mar
da língua portuguesa
onde na paixão me encontro comigo
Maria Teresa Horta
quinta-feira, 6 de abril de 2023
Endoenças
domingo, 2 de abril de 2023
À sombra de uma mulemba...
"Quando o construtor de castelos abriu os olhos continuava no mesmo lugar. Não saberia dizer há quanto tempo estava ali. Nem sequer saberia dizer se onde estava existia tempo. Os dias e as noites não se sucediam uns aos outros. Tão-pouco os bichos e as árvores se desenvolviam, ou os corpos envelheciam. O construtor de castelos fechava os olhos o tempo suficiente para que o capim crescesse e engolisse tudo, e quando os voltava a abrir encontrava o mundo igual. A farta e fresca sombra da mulemba, um perfume feliz, um rio correndo ao fundo e o seu lento rumor.
domingo, 19 de março de 2023
A MESA:
A minha pátria
é esta sala que dá para a varanda,
e é também a varanda com as suas flores
que vão e vêm meses fora, e eu vejo luminosas
mesmo quando se tornam cor
de vento triste
A minha pátria
é a toalha branca que me cobre, são os pratos
que sustento todos os dias, os braços
que se encostam a mim,
até a água onde quase me afoguei,
por culpa distraída da mão que no meu corpo
a colocou, mão insensata
esquecida de cuidar
Comecei por conhecê-la,
à minha pátria.
Quando era ainda a paisagem perfumada
das madeiras, irmãs de nascimento, a serração,
o ar coberto de minúsculos fios e pó
tão bem cheiroso, os dedos que depois me tomaram,
tábua larga, me afagaram
com plainas, o verniz, o brilho
tudo isso foi já a minha pátria: pradaria de insectos,
ventos brancos, a seiva viva que corria
nos meus veios, a água que eu bebia para sobreviver,
e que me protegia
Que a mão que agora aqui e sobre mim
se estende
se lembre desta inteira condição comum:
de reino igual viemos, para igual reino
vamos, ela e eu
os átomos que me formam e fizeram
podem ter sido os seus
Ana Luísa Amaral
Pintura de Di Cavalcanti
https://www.youtube.com/watch?v=pUlJ-3TuRnA

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