segunda-feira, 11 de outubro de 2021

A Rua


A rua era de terra e casas térreas
ladeavam-na, talvez desde os anos trinta
Para ali tinha sido transplantada
a minha infância, a linha

do comboio passava entre o largo e a ria,
de noite sobretudo parecia-me
ameaçador e imenso o largo, ao fim
da rua com janelas onde assomavam caras

conhecidas, na luz ténue que vinha
das esquinas; quartel e em outubro a feira,
à igreja adjacente um convento, nocturnos pios
de mochos emitido; no coro da igreja

quem leria para o lugar vazio? a alguém ouvia,
sem entender, correr a poesia
essa voz assustava como vinda
de sepulcro onde o eco a transformava;

e contava-me o som sublime quem o
escutara quando a igreja limpava

Gastão Cruz, natural de Faro

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