quarta-feira, 5 de outubro de 2022
As gavetas
domingo, 18 de setembro de 2022
Um dia muito atarefado
Corre, foge e acelera
Cai, levanta-se, continua
A empurrar no carrinho
O seu adorado “bebé”.
Chama, grita ãm ÃÃM
Aponta ÃÃÃÃUUMM
Ainda nos falta apertar
O cinto do seu "bebé"!
“Tudo bem” pensamos
O quê? Mudou de ideias
E tudo volta ao princípio
Mais… uma… vez…
Agora a “Mimi” (Minnie)
Está com um babete
Que pede para tirar
E a seguir colocar
Indefinidamente.
- Anda mudar a fralda!
Então dá meia volta
Corre, foge e acelera
- Anda cá, apanhei-te!
Quer o creme, aponta
Pede ÃÃÃMMMM
Esperneia, rebola,
Consegue alcançá-lo
E começa a comê-lo.
- NÃO, NÃO, isso NÃO!
Ela olha-nos a sorrir
A gozar(?) muito doce,
Só para experimentar
Até onde a deixam ir.
Agora vai para a cama
Aceita sem protestar
É um anjinho a dormir
Vó, VÓÓÓ… Está a chamar
Acordou? Já? Chatice!
Hoje dormiu tão pouco…
São dias muito intensos
Sem parar num frenesim
O segredo? A confiança
Que deposito nela…
E ela… em mim!
sábado, 3 de setembro de 2022
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Tavira 1944
Notas sobre Tavira
(Tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado).
Tudo é velho onde fui novo.
Desde já — outras lojas, e outras frontarias de pinturas nos mesmos prédios —
Um automóvel que nunca vi (não os havia antes)
Estagna amarelo escuro ante uma porta entreaberta.
Tudo é velho onde fui novo.
Sim, porque até o mais novo que eu é ser velho o resto.
A casa que pintaram de novo é mais velha porque a pintaram de novo.
Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu.
Outrora aqui antevi-me esplendoroso aos 40 anos — Senhor do mundo —
É aos 41 que desembarco do comboio [indolentão?].
O que conquistei? Nada.
Nada, aliás, tenho a valer conquistado.
Trago o meu tédio e a minha falência fisicamente no pesar-me mais a mala...
De repente avanço seguro, resolutamente.
Passou roda a minha hesitação
Esta vila da minha infância é afinal uma cidade estrangeira.
(Estou à vontade, como sempre, perante o estranho, o que me não é nada)
Sou forasteiro tourist, transeunte.
E claro: é isso que sou.
Até em mim, meu Deus, até em mim.
Álvaro de Campos
"Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890..." - Fernando Pessoa
Tavira de ontem e hoje
Lendas de Tavira
A sua história perde-se no tempo, é uma cidade de recantos e encantos, atravessada pelo Rio Séqua e Gilão, que também tem histórias e lendas para contar.


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